De janeiro a junho, a perda de funcionários já foi uma realidade em 31,6% das indústrias, segundo levantamento do Ciesp divulgado na semana passada. Em uma metalúrgica de Campinas, voltada para a área de produção de peças para a indústria aeronáutica de óleo e gás, a redução foi de 30% no número de empregados nesse período.
"Com a baixa das vendas nesse primeiro semestre, os custos aumentaram e a empresa teve que equalizar os custos com a folha de pagamento, com a baixa demanda", explica o gerente comercial Edson Silva.
As saídas para a indústria
No primeiro semestre, de acordo com o estudo, 23,7% das empresas ampliaram os esforços de eficiência produtiva, 12,8% aumentaram o endividamento e 18,4% utilizaram esquemas alternativos de jornada de trabalho para driblar a crise, como entrar em férias coletivas, por exemplo.
Já no segundo semestre, a previsão da entidade aponta que 19,4% das indústrias planejam esforços de eficiência produtiva, 13,9% devem ter redução de linhas de produção e 11,1% declararam que fizeram as mudanças mais significativas entre janeiro e junho.
"O investimento vive de expectativa e a expectativa é muito ruim, em função da grave crise política que se criou no país agora, da crise ética, moal e econômica. É um conjunto de fatores que tiram um pouco a expectativa do empresariado", afirma o diretor do Ciesp, José Nunes Filho.
O índice de confiança do empresário na economia caiu de 51%, uma média histórica, para 32%, segundo o Ciesp.
| Indústria é a primeira a sofrer as consequências da crise econômica (Foto: Reprodução / EPTV) |
Efeito dos custos com água, luz...
Para o professor em finanças de Campinas Eli Borochovicius, devido ao aumento nos custos de água, energia e combustível, as empresas precisaram reduzir o quadro de funcionários para se manter.
"Uma indústria é uma coisa muito grande e, aí, eu gasto muito com energia, eu gasto muito com água, eu gasto muito com o transporte. Como nós vivemos hoje uma inflação por custo e não por demanda, normalmente é a indústria quem sente primeiro", afirma o professor.
Via G1

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